MPT-MG, MPMG, Caritas e CVSF realizaram ação emergencial no Vale do Jequitinhonha

O verão, estação das chuvas está chegando ao fim, mas não podemos esquecer do que aconteceu no início do ano de 2022, nas regiões dos Vales do Jequitinhonha e do Mucuri, que são conhecidas pelos seus longos períodos de secas, mas que foram fortemente atingidas pelas chuvas. As fortes chuvas que atingiram o estado de Minas Gerais, entre 1º de dezembro de 2021 e 17 de janeiro de 2022, deixaram cerca de 64,5 mil pessoas desalojadas ou desabrigadas, sendo grande parte de moradores da região dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, uma das regiões mais afetadas pelas chuvas no estado.


Logo no início da situação de emergência, ocasionada pelas chuvas, no norte de Minas Gerais, a equipe da ação Comunidade Viva Sem Fome passou a receber, através das redes de coletivos, entidades e movimentos de proteção de direitos e de enfrentamentos das vulnerabilidades sociais, relatos muito contundentes, de problemas gravíssimos enfrentados por famílias que já viviam em situação de vulnerabilidade e que perderam tudo: moradias, móveis, comidas, roupas, tudo. Naquele momento, famílias que já estavam enfrentando a pobreza e estavam passando por uma situação de extrema gravidade.

(Fotógrafo: Gil Leonardi/ Imprensa MG)


Diante da enormidade do problema, o grupo idealizou uma ação emergencial específica para as vítimas dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. A ação buscou, junto ao Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais, que já apoia regularmente as ações do Comunidade Viva Sem Fome, um recurso específico para fazer uma ação emergencial. As doações foram realizadas a partir de um termo aditivo do MPT-MG, no valor de R$500 mil.


A Caritas Diocesana, que coordena a ação Comunidade Viva Sem Fome, e já atua nas regiões dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, em parceria com a AIC - Agência de Iniciativas Cidadãs, foi responsável pela articulação e distribuição das doações na região. Em cada município onde eram feitas as distribuições das doações a Caritas contou com a colaboração de 10 voluntários locais.


As ações foram muito importantes para a nossa região, os trabalhos da Caritas, são feitos em conjunto com as paróquias, junto com os sindicatos e associações locais. O que garante que nós conseguimos priorizar as pessoas que estavam mais vulneráveis naquele momento, a pandemia já estava aumentando muito a vulnerabilidade da nossa região, já muito pobre e com situações muito difíceis e com as chuvas potencializou de uma forma imensa essa situação. As cestas e os produtos foram muito importantes pra ajudar as pessoas a se alimentarem. Foram atendidas famílias tanto nas zonas urbanas quando nas zonas rurais.” Bruno Pereira - (Agente da Caritas Diocesana de Almenara)


A ação aconteceu em duas etapas. Na primeira etapa, foram contempladas cidades do baixo e médio Jequitinhonha e do Vale do Mucuri: Bertópolis (90 famílias), Machacalis (150 famílias), Rio Prado (110 famílias), Palmópolis (100 famílias), Jordânia (60 famílias), Monte Formoso (50 famílias), Jequitinhonha (50 famílias), Jacinto (50 famílias), Rubim (30 famílias), Fronteira dos Vales (50 famílias), Ponto dos Volantes (54 famílias), Itaiobim (54 famílias), Medina (12 famílias) e Bandeira (30 famílias). Somando um total de 890 famílias.


Para a primeira etapa da ação foram distribuídos:

  • 860 cestas de alimentos;

  • 890 kits de higiene pessoal;

  • 1040 kits de limpeza; e

  • 310 pacotes de fraldas.

Já a segunda etapa atendeu as demandas de cidades das regiões Norte, Vale do Jequitinhonha, Vale do Mucuri e Vale do Aço: na cidade de Januária, os Quilombos Velho Chico (50 famílias), Paudoleo (40 famílias), Sangradouro (40 famílias) e Croatá (40 famílias); em Araçuaí o Quilombo Mutuca de Cima (55 famílias); em Joaíma o Quilombo Barreirinho (80 famílias); em Felisburgo o Quilombo Paraguai (70 famílias); em Bertópolis o Quilombo Pradinho (70 famílias); em Monte Azul o Quilombo Gorutuba (150 famílias); Rio Pardo de Minas (150 famílias); Rubelita (55 famílias); Ibiaí (50 famílias); Ponto Chique (50 famílias); Ubaí (50 famílias); Lagoa dos Patos (50 famílias); Berizal (33 famílias); Curral de Dentro 104 famílias); e Nova Era (390 famílias). Somando um total de 1390 famílias.


Para a segunda etapa da ação foram distribuídos:

  • 1390 cestas de alimentos;

  • 1181 kits de higiene pessoal; e

  • 925 kits de limpeza.

Ao final, foram atendidas 2280 famílias com o proejto emergencial realizado pela Ação Comunidade Viva Sem Fome.


(Chegada das cestas a Comunidade Quilombola de Balaieiros, na região Norte de Minas.)


O transporte das doações de Belo Horizonte para as cidades no Norte de Minas foi realizado pela Divisão de Frota do Ministério Público de Minas Gerais - MPMG (DFROT), que utiliza caminhões da própria instituição. Com a disponibilização do transporte e a designação de motoristas, as cestas foram carregadas no Ceasa e direcionadas às cidades de destino. Para a realização da ação foram empregados 10 motoristas, além de 4 servidores, 1 técnico em logística, 2 supervisores de manutenção de veículos e 2 recepcionistas. No total foram 13 viagens em caminhões com capacidade para 10 toneladas. As 13 viagens organizadas e realizadas pela equipe do Ministério Público de Minas Gerais, que se mobilizou em meio as festas de final de ano, tiveram como destino os municípios de Machacalís, Jequitinhonha, Itaobim, Nova Era, Teófilo Otoni, Araçuaí, Pescador e Janaúba.


A ação Comunidade Viva Sem Fome agradece imensamente todo o empenho da equipe que viabilizou as entregas das doações a tempo para as famílias atingidas pelas chuvas.


Emerson Nogueira, um dos motoristas responsáveis por levar as entregas da capital para os pontos de distribuição, conta que realizou duas viagens. Uma delas foi para a cidade de Nova Era, no Vale do Aço, que ficou devastada em decorrência da cheia do Rio Piracicaba. “Fomos dois caminhões fazer a entrega, a estrada ainda estava boa, mas chegando dentro da cidade foi uma cena bem triste, a cidade estava toda devastada, as pessoas estavam limpando as casas e a ruas...” O motorista conta que fez entrega também no norte de Minas: “no caminhão tinham cerca de 9 toneladas de alimentos e materiais de limpeza, a chuva não dava trégua, as estradas estavam consumidas pela chuva que não parava, a gente tinha que tomar cuidado”.


(Foram acrescentados às cestas, kits de higiene e limpeza)


Ricardo, morador da cidade de Nova Era, que foi gravemente afetada pela cheia do Rio Piracicaba, enviou o seu agradecimento para o telefone de contato da ação “Saudações: Sou morador na cidade de Nova Era, região central de Minas Gerais. Venho agradecer a cesta básica que recebemos em prol da enchente do Rio Piracicaba. Somos muitos gratos, a todos os envolvidos nesse ato de solidariedade cristã. Atenciosamente Ricardo


(Foto enviada por Ricardo de Nova Era)


A região do Vale do Jequitinhonha tem os menores índices de desenvolvimento do estado de Minas Gerais, teve sua situação agravada em decorrência da pandemia e a situação piorou ainda mais após as chuvas de dezembro de 2021 e janeiro de 2022, precisa constantemente de apoio.

Segundo Bruno Pereira, da Caritas Diocesana de Almenara, a situação hoje na região está começando a voltar ao normal, “mas tem uma demanda muito grande, as lideranças entram em contato com a gente procurando por mais doações de cestas básicas, os valores dos alimentos estão muito altos então as pessoas estão se privando de alguns itens na alimentação. E alguns municípios que foram atingidos pelas enchentes ainda não conseguiram recuperar.”.